Associativismo Honrado PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

O Independente Foot-Ball Club Torrense, era assim que se escrevia naquele tempo, nasceu no já longínquo dia 12 de Fevereiro de 1925. A materialização deste sonho de implicações desportivas e culturais deveu-se ao empenho de um punhado de jovens, torrenses dos verdadeiros por nascimento ou por coração. Seria uma injustiça, não recordar o nome daqueles que deram o que sabiam e podiam, numa amálgama de entusiasmo e confiança. Eles ficarão para sempre inscritos na história do IFCT.

Alfredo Ferreira da Silva, Valentim de Oliveira, Américo Rodrigues Santa Iria, António Pedro Gomes, José Diogo Rato, José Joaquim Evangelista, Ramiro Gonçalves, Tomaz Amora e Emílio Marques. São homens como estes que fazem aproximar os homens, que tornam cativante a vida comunitária, que escrevem a história do Movimento Associativo Português. Aqui fica a nossa sincera e sentida homenagem.

O IFCT arrancou para uma existência longa e frutuosa com uma modalidade eleita: o futebol. Aliás, vale a pena narrar um curioso episódio que se passou quando os referidos fundadores chegaram à altura de baptizarem o clube. Recorrendo aos preciosos arquivos do IFCT, sabe-se que houve quem quisesse que Benfica figurasse na designação da colectividade, enquanto outros elementos do grupo contrapunham o nome do Sporting. A contenda foi desfeita pela ponderação de Alfredo da Silva, que veio a ser sócio nº 1, o qual sugeriu o nome actual. Independente, em vez de um dos clubes de Lisboa, agradou a gregos e troianos, e os torrenses arregaçaram as mangas e lançaram-se à obra.

Um ano depois, o clube estreou-se com a sua equipa na Liga de Futebol do Barreiro, tendo alcançado um honroso 2º lugar. Na época seguinte, criada que foi a Associação de Futebol de Setúbal, o IFCT passou a disputar o campeonato da zona Montijo-Barreiro-Seixal, situação que se manteve até à temporada de 1939/40. Durante a sua existência, a equipa da Torre da Marinha mediu forças, em jogos oficiais e particulares, com muitos clubes, uns, que continuam a existir, outros, que são uma saudade: Arrentela, Paio Pires, Seixal, Amora, União Amorense, Barreirense, Unidos Barreirense, 11 Unidos do Montijo, Sport Aldaleguense, 1º de Maio de Sarilhos, Belenenses, Lavradiense, Grupo de Brigadas de Marinheiros do Alfeite, Coinense, Santo Antoniense, Leões do Barreiro e muitos outros que deixaram marca no futebol português.

No entanto, como hoje, também naquele tempo a vida não era fácil para o movimento associativo. Ao IFCT não era fácil adquirir o necessário material desportivo que, inexplicavelmente, sempre foi muito caro no nosso país. A grande contrariedade, contudo, era não possuir o seu próprio campo de futebol. Tudo isto levou ao esgotamento do entusiasmo, e o futebol deixou de existir em 1940. Apesar disso, outras actividades, como o atletismo, o ciclismo e o ténis de mesa davam vida ao Torrense. Entretanto, através de um grupo cénico e uma biblioteca, que no início não ia além dos 150 volumes, surgiram as necessárias componentes culturais.

Os registos do IFCT dão-nos também a conhecer a composição social, nos anos 40, dos seus associados, 180 na altura, na sua esmagadora maioria operários e empregados de escritório.

A vida e tudo o que ela arrasta consigo modificou-se, o IFCT conheceu bons e maus tempos, sobreviveu a crises que pareciam inultrapassáveis, lutou por causas nobres e ganhou, batalhou contra injustiças e perdeu, mas chega ao século XXI como uma das colectividades mais dinâmicas do Concelho, animada pelo mesmo espírito de solidariedade dos seus fundadores.

Voltado para a comunidade em que se insere, o IFCT mantém as suas actividades recreativas e culturais, ao mesmo tempo que alargou a oferta desportiva. Em modalidades como andebol, atletismo e ténis de mesa são conhecidos os êxitos dos atletas que representam o clube, que acarinha outras modalidades além das citadas.

A vida associativa honrada, voltada para a comunidade, orientada para a elevação da cultura dos associados e da população, são razão de sobra para o grande regozijo com que comemoramos todos os anos o aniversário do nosso Clube. Não podemos esquecer a inauguração do Pavilhão Desportivo, uma importante estrutura, mais do que merecida, que vem dar outro fôlego à vida da colectividade. Merecem-na os que fundaram esta casa em meados da década de vinte, merecem-na os nossos atletas e técnicos, merecem-na a população da Torre da Marinha, com quem mantemos laços de uma afectividade indestrutível.